28 de abril de 2016

Quero dividir algo muito pessoal aqui hoje. Falar sobre isso me ajuda e eu espero que talvez também ajude as pessoas que passam por situações parecidas. Essa semana, há um ano atrás, foi uma semana muito curiosa. Eu sempre curti muito visitar o Tom, as visitas eram um prazer, um divertimento. Só que há um ano atrás, na semana que começou em 24 de abril, as coisas aconteceram de maneira diferente. Algo me puxava diariamente para ir até o hospital ver o Tom. Foi uma semana de muito trabalho e muitas reuniões, mas eu não sossegava se não desse pelo menos uma passadinha rápida, nem que fosse por 15 minutos. Quando a 5a feira, 28 de abril, chegou, não foi diferente. Eu lembro de estar exausta, celular sem bateria, e ainda tinha terapia no começo da noite, mas mesmo assim, eu tinha que ir ao hospital. E fui. Coloquei celular para carregar e comecei a curtir o Fofotonio. Como sempre, eu cantava a musica do Silvio Santos, mas ao invés de Silvio Santos eu cantava ‘Fofotonio vem aí…’… ou então eu cantava ‘o Fofotonio la-lalalalal-lala’ e por aí vai… Eu pulava e dançava e o Tom ria, ele ria tanto, ele gargalhava e se balançava dançando. Eu colocava algum brinquedo dele na minha cabeça e era um carnaval. Eu chegava a suar nessas ocasiões. Já era então hora de eu ir para a terapia e hora do Fofotonio começar a relaxar para dormir. No meio do caminho me dei conta que havia esquecido o celular carregando no quarto dele. Voltei correndo. Fofotonio estava no colo da Ana, relaxando. Peguei o celular, dei um beijinho nele e falei que o amava (eu sempre falava para ele que o amava, então sei que ele partiu sem duvida alguma do meu amor por ele) e saí correndo.
Essa foi a ultima vez que eu o vi acordado. No dia seguinte ele já começou a apresentar febre e eu não pude mais visitar por conta disso. No dia 1o de maio ele foi entubado. E eu tenho essa lembrança maravilhosa da ultima semana que passei com ele acordado. Por que eu estou dividindo isso? Porque me faz bem. E porque eu tenho absoluta convicção de que teve sim uma energia maior que me puxou para aquele o hospital naquela semana, era uma coisa impressionante. E o celular esquecido?! Eu NUNCA esqueço celular em lugar algum. Hoje eu agradeço demais por esse esquecimento e a chance que ele me deu de voltar e dar um beijo no meu sobrinho amado.
A lição de dividir isso: não deixe de agarrar, de beijar, de visitar os bebês (ou qualquer outro ente querido doente ou hospitalizado). Eu nunca pensei que aquela semana seria a ultima do Fofotonio acordado, a gente nunca pensa isso. E que bom que eu consegui aproveitar aquela semana com ele. Que bom que eu ouvi minha intuição e fui visita-lo todos os dias. Que bom que esqueci o celular. Que bom que eu aproveitei todo segundo que pude com o Fofotonio. Que bom que tenho todas essas lembranças dessa semana há um ano atrás, que hoje eu não teria se não tivesse seguido minha intuição. #vivaotom
Simone, tia apaixonada do Tom e do Dani

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